Moda como meio de expressão: Beatniks e Hippies


Surgimento da contracultura e os beats

Contracultura, segundo Carlos Pereira, pode ser entendida tanto como 1. movimento de crítica radical datado na década de 1960, nos Estados Unidos, portanto histórico, ou 2. como qualquer postura contrária à cultura convencional.
A contracultura, como movimento histórico, teve início durante a década de 1950, com os beatniks, movimento comandado por Jack Kerouac, no seu livro On The Road. O beatnik buscava a liberdade, a vida longe das amarras do social, ouvia Miles Davis, admirava as obras de Pollock e bebia. Era uma geração existencialista. A geração que surgia nesse meio tempo eram os que buscavam um estilo de vida que fugisse do padrão escola e família.
Mochileiros e viajantes, os beats justificavam suas ações como expressão da liberdade.
Ricos porque livres. Dormir ao relento, trabalhar em navios mercantes para conhecer a vida rude dos sete mares e as alegrias não menos rudes de cada um de seus portos. Fumar haxixe no Marrocos, meditar na Índia, jogar xadrez ou escrever romances nos cafés de Paris.
(BIVAR, 1988, p. 14)

O movimento hippie
Na década seguinte, a população americana que tinha nascido no baby boom (explosão demográfica acontecida durante a Segunda Guerra Mundial), enfrentava agora a Guerra do Vietnã, a explosão da televisão, do consumismo derivado da Guerra Fria, da publicidade e do capitalismo. Foi nesse período que a contracultura ganhou nome e expressão na vida dos estadunidenses e ganhou correntes mundo afora.
As desigualdades e contradições que imperavam na América, de um lado crescimento econômico e tecnológico, do outro, guerras e conflitos, levaram os jovens a defender tudo que fosse contrário ao convencional. 
A maior corrente da contracultura a surgir neste período, foram os hippies. Os hippies e jovens da contracultura muitas vezes questionavam a liberdade de que tanto se caracterizava os Estados Unidos. Especialmente pela obrigatoriedade do serviço militar, pela guerra que impunha a outros países, que indefesos não ofereciam resistência à tamanha potência. Para os hippies, se a sociedade era capaz de tamanho crime e violência, devia ser rejeitada. Muitos desses jovens eram soldados desiludidos que traziam do Oriente a forma de vida, a moda e a ideologia.  Vida em comunidade, meditação, sexo, drogas e rock ‘n roll.
Os hippies se inspiravam no Oriente. Viviam em comunidades, fugiam à regra social e se divertia. Utilizavam os cabelos despenteados e compridos, barbas sujas. Jeans e sandálias. Saias longas e floridas. Estampas orientais. Prezavam a atividade manual, o artesanato. Colares, pulseiras, lenços e cintos eram os acessórios que os caracterizavam. Se a sociedade bebia álcool e fumava cigarros e se casava, os hippies apostavam nas anfetaminas, na maconha e no sexo livre.
A música teve um papel importante na disseminação do movimento. Todos ouviam os Beatles, Janis Joplin, Jimi Hendrix e Jim Morrison. No entanto, os hippies eram identificados especialmente pelo vestuário, estilo que de vida. E foi a moda e música que ficaram para as gerações posteriores.
Segundo Lipovetsky, a moda como sistema, efêmera e incessante é movimento distinto no mundo ocidental. Enquanto no Oriente é meio de expressão de um povo, ou de uma classe social, baseados na tradição e na cultura, aqui ganha ares de demonstração de valores políticos, sendo, portanto individualizada. A moda torna-se instrumento para divulgação de estilos de vida. Assim como as melindrosas e as flappers na década de 1920, as pin-ups dos anos 40 e 50, os beatniks, os roqueiros e os motoqueiros, os hippies também não escaparam do fenômeno moda. De fato, a moda hippie acabou por se tornar atemporal, embora sem o significado de outrora, já que muitos itens inspirados no vestuário desses invadem as passarelas a cada ano, especialmente na época da primavera-verão. Nos últimos anos entrou em moda a bandana, jeans rasgados industrialmente, cores berrantes, colares compridos, batas, sais compridas...
Da mesma maneira que os objetos e a cultura de massa, os grandes discursos de sentido veem-se tomados pela lógica irreprimível do Novo [moda]. [...] Trata-se de mostrar que ele [processo frívolo da moda] consegue imiscuir-se até nas esferas que, a priori, são mais refratárias aos movimentos da moda.
(LIPOVETSKY, 2009, p.278)


Bibliografia
PEREIRA, Carlos Alberto. O que é contracultura.  4. ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1986.
BIVAR, Antonio. O que é punk.  4. ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1988.
LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero: A moda e seu destino nas sociedades modernas. 1.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

Nota

Olá leitores!

Sei que sumi ultimamente (embora minhas postagens nunca tenham sido frequentes), não postei um único texto mês passado! E não é por falta de tempo ou falta de ideias, mas falta de coragem para me dedicar mais ávidamente aos blogs que gerencio. Talvez por sempre querer trazer pra vocês algo com bastante conteúdo, acabo me demorando nas pesquisas e o tempo passa e ainda não escrevi nada. 

Como de praxe, fim de ano é hora de resoluções: para o próximo ano, pretendo me dedicar mais a este espaço. Para dezembro, estou com alguns textos para postar, referentes a história da moda e outros sobre os punks e os hippies. Também pretendo trazer também informações e reflexões que entrem um pouco no universo cultural, como filmes, séries e músicas, porque estes também ditam moda e comportamento.

Mas até lá, bom final de ano e feliz natal!

Regi