Aniversário de Audrey Hepburn

Hoje (04 de maio) Audrey Hepburn completaria 83 anos se estivesse viva. Ela é um dos maiores expoentes da moda até hoje. Audrey foi responsável por imortalizar o vestidinho preto quando apareceu no filme de 1961, Bonequinha de Luxo. Vários de seus looks servem de inspiração para muitos modistas.

Para saber mais visite meu outro blog onde foi publicado uma pequena biografia sobre a atriz.





Com Hubert de Givenchy, uma das maiores parcerias da moda

Com Edith Head: a modista de Hollywood

Imagens via Listal.com

Século XX: Belle Époque


Terceira parte do post sobre a história da moda. Para ler mais:

Moda da Idade Média
Moda da Idade Moderna


3 IDADE CONTEMPORÂNEA 


A revolução francesa marca o fim da Idade Moderna. 

Com o fim desta, os trajes começaram a ser simples, nas mulheres a utilização de vestidos que tinham como adorno uma faixa larga pouco abaixo dos seios: a cintura-império. A moda masculina apresenta sua decadência. Talvez após esse evento, os homens mostram desinteresse e nunca mais foram os senhores da moda, cedendo seus lugares à vaidade feminina. 

Estilo Biedemeier
O branco entra em moda, indicando pureza e virgindade, e deve ser usado por toda mulher solteira: a não utilização deste era quase considerado uma afronta. A mulher ideal é a pálida, sofredora e frágil. Surge o estilo Biedermeier para ajudar a aparentar delicadeza: corpete em forma de coração que se afinava demasiadamente na cintura. 

Os homens adquirem em seu vestuário o estilo monocromático, utilizado por muitos até hoje. 

A aristocracia entra em decadência. A Revolução Industrial começa e a produção de uma das maiores marcas da moda: as máquinas Singer. 



3.1 A BELLE ÉPOQUE (1900-1914)

A Belle Époque foi um período de grandes avanços tecnológicos e culturais que se iniciou no final do século XIX e durou até o início da Primeira Guerra Mundial. Marcada pelo aparecimento de diversos cabarés, o cancan, o Impressionismo, a Art Noveau e pelos primeiros passos do cinema, a Belle Époque trouxe novos horizontes para a sociedade européia, que procurava manter a paz e a união entre eles e com o mundo. 

Paris se tornou o lar de muitos artistas, cafés, bares, teatros, cinemas, cabarés, escolas de dança e ateliês de alta costura, além de referência para estrangeiros que procuravam a cidade-luz com o objetivo de informar-se sobre as inovações nos diversos campos da vida social. 

Art Noveau
Na primeira década do século XX, o Art Noveau, ou simplesmente ‘arte nova’, na moda se caracterizou pelas curvas e o corpo em forma de ‘s’, desenhadas pelo espartilho apertadíssimo, dando ao corpo da mulher o formato ampulheta.

Rendas, bordados e várias camadas davam à mulher um ar romântico, no entanto era pouco prático, pois havia a necessidade de terceiros para ajudar a compor o vestuário. Os acessórios eram as sombrinhas delicadas, grandes chapeis e penteados que deixavam o rosto feminino mais delicado, como coques volumosos e topetes. A este tipo de penteado se dá o nome “Pompadour”.
O Pompadour. Observe a delicadeza
e o luxo que compõe este look

Durante esse período, o Brasil manteve fortes ligações com a França, chegando a transformar as grandes cidades em metrópoles ao estilo europeu, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Esse clima de paz e prosperidade foi rompido com a eclosão da Primeira Guerra Mundial. 

Frase #2


Moda da Idade Moderna

Esta é a segunda parte do post sobre história da moda. Clique no link a seguir para ler: Moda da Idade Média


2 IDADE MODERNA 

2.1 RENASCIMENTO 

   A Idade Moderna teve seu início com a queda do Império Romano do Oriente e o Renascimento. Não se sabe ao certo situar o início deste na história, mas acredita-se que tenha sido entre o fim da Idade Média e o começo da Idade Moderna, entre os séculos XIII e XVII. 

     O Renascimento está marcado pela busca pelo perfeito, pela volta do classicismo greco-romano. Com isso, a moda também se idealiza. As pessoas se vestem como se estivessem para ser pintadas em um quadro. 

  Há uma grande aproximação da moda com a arte nesse período. Para tanto, os historiadores da moda estudam os quadros da época para entender o vestuário. 

     A moda, apesar de sempre ter indicado status, agora há acessórios específicos que cada pessoa deve usar, como uma prostituta, por exemplo, deve sair a rua com um capuz vermelho ou um sino. 

      É quase que impossível definir a moda do Renascimento. Esta variava de lugares, épocas e etc., e como sempre foi observada em grande parte da história, a moda masculina era mais exuberante que a feminina. 



2.2 INGLATERRA 

Rainha Elizabeth e Rei Henrique VIII
     Na Inglaterra, reinava Henrique VIII, que inovou. A moda até então, seguia a tendência vertical. Henrique VIII mudou isso. Sua aparência, como se pode notar nos mais diversos quadros tende a ser horizontal. Ele criou o sapato com a ponta recurvada para cima e utilizava roupas em cima de roupas aumentando ainda mais a sensação de achatamento. Nas mulheres, o cabelo era puxado para traz o máximo possível para evidenciar a testa. 

      Uma moda muito utilizada pela rainha Elizabeth I, que veio a governar pouco depois de seu pai, o rei Henrique VIII, foi o chamado rufo, uma espécie de gola muito engomada, parecendo um babador, que ajudava a evidenciar o rosto e dar uma postura de altivez. Com o passar do tempo, esse rufo foi “relaxando”, com um decote que evidenciava os seios e criava uma espécie de aura ao redor da cabeça. As crianças se vestiam como os adultos. Em retratos antigos, nota-se muitos o rufo na moda infantil. 

Rufo, usado tanto por adulto quanto por crianças
      Também foi por Elizabeth I, que começou a pintura dos cabelos de vermelho e a utilização de perucas, já que esta era praticamente calva. A nobreza, logo quis imitá-la, no entanto, a rainha era individualista e não permitia a imitação, então eram apenas mechas e partes do cabelo que eram tingidas. 

     As saias eram armadas com arame, como essas que pode se notar nas noivas atualmente. O espartilho era apertado ao máximo e engomado. 

       É da época dessa rainha mão de ferro, a primitiva máquina de costura que permitiu uma grande revolução em apenas dois séculos. 

    O preto foi introduzido na moda européia. Antes, designado apenas para enterros e ocasiões fúnebres, agora é símbolo de elegância. As pessoas saiam as ruas como se estivessem indo a missa. Tal fato causou bastante espanto nas cortes, antes coloridas e luxuosas. O preto permanece até hoje como cor básica do guarda-roupa. 

     E os camponeses e citadinos, como se vestiam? Eram utilizadas por eles uma veste conhecida como Schaube, que é utilizada até hoje por monges luteranos. É uma veste simples, geralmente de cores sóbrias com detalhes coloridos. 
Schaube




2.3 O SÉCULO DA VAIDADE: XVII 

   Chamado assim, pois houve grande refinamento e luxo na moda. Começou o lento desaparecimento do rufo - exceto na Holanda - e o enfeitamento dos sapatos masculinos. 

    Os sapatos masculinos podiam conter rendas, fivelas broches e etc., podiam ser usados tanto em lugares fechados, quanto ao ar livre. Nos calçados femininos não havia esse enfeitamento devido ao vestido escondê-lo. 

   Há também o aparecimento das pintas, adesivos colocados nos rostos em pontos estratégicos, usados as vezes para esconder defeitos físicos, como verrugas ou marcas de doenças. Essas pintas podiam ter todo o formato possível desde luas, sois, estrelas, lágrimas e etc.. 
Fontanges

    Os trajes masculinos adquirem um exagero, como a colocação de fitas onde quer que desse, com fitas que chegavam a mais de metros. Com relatos que chegaram até nós, a moda mudou constantemente nesse período, com reis que mudaram suas vestes drasticamente em tempos menores que seis meses. 

   Surgem os fontanges e os penteados-torres, ambos caracterizados por serem altos e chegarem a quase um metro. 

      Tomar banho estava fora de moda. acreditava-se que poderia fazer mal. Por isso usavam bastante roupas brancas, pois cria-se que estas absorviam a sujeira do corpo. 



2.4 REVOLUÇÃO FRANCESA 

    Paris é a capital da moda. Há a introdução dos grampos de cabelo, para segurar a armação dos penteados-torres, esses que dominam o cenário dos penteados. Os penteados-torres começam a ser enfeitados com todo tipo de exagero que se pode imaginar, desde flores até barcos com velas inflando. Esses penteados duram meses nas cabeças, havendo grande proliferação de piolhos. A moda masculina exibe um grande grau de afetação. Estamos no reinado de Luís XIV, o Rei Sol, conhecido pelo gosto por luxo e pelo salto alto. 

      Maria Antonieta, imperatriz, grande ícone desse período, adoradora dos penteados-torre e das paniers, armações dos vestidos tão elevadas nos quadris, que se assemelham a cesta de pães, por isso o nome (paniers=pães em francês). 

A moda do Rei Sol e de Maria Antonieta caracterizou bem este período


      Na revolução francesa, com a plebe caçando e matando todos que se assemelhassem a nobreza, todo o luxo do Rei Sol desaparece. A nobreza começa-se a vestir com vestes semelhantes a dos camponeses. As calças justas e curtas da aristocracia dão lugar aos calções largos e longos da classe baixa. A moda francesa começa a buscar inspirações na moda britânica, mais séria. Surgem na Inglaterra, as fashion plates e costumes plates, precursoras dos catálogos e revistas de moda. 

      Surgem as ridículas, bolsos que se levam presos ao pulso, muito utilizado pelas mulheres, que agora usam vestidos simples sem os grandes bolsões antes embutidos nos vestidos. Talvez daí tenha surgido a bolsa de mão, cotidiana. 

        A revolução francesa marca o auge da moda feminina e a afetação da moda masculina.

Moda da Idade Média

Estou iniciando este novo post especial em honra a uma das artes que sempre mostrou o momento da sociedade: a moda. Quando se fala em moda, meu interesse é em sua história, suas influencias junto ao meio, ou a influencia do meio na aparência. Gostando ou não todos nós somos escravos dela. O objetivo não é falar da indústria da moda, para isso já temos as revistas especializadas, mas sobre seu significado. Começaremos a discutir a história a partir do período medieval, pois segundo o filósofo francês Gilles Lipovetsky, é quando a moda passou a existir como sistema. O especial será dividido em Idade Média, Idade Moderna e Contemporânea e é um baita resumo.


     Hoje em dia, são muitos os significados para moda. Muitos a designam como um objeto fútil de consumo, mas, mal sabem que moda não se resume apenas a uma determinada roupa. Segundo o dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, moda se refere ao "uso, hábito ou estilo geralmente aceito, variável no tempo, e, resultante de determinado gosto, meio social, região, etc; Uso passageiro que regula a forma de vestir".


1. IDADE MÉDIA 

   A Idade Média é um período na história, demarcado pela queda do Império Romano do Ocidente até a queda do império romano do Oriente. Teve a duração de um milênio, do século X até o século XV. 

    Segundo Gilles Lipovetsky, em seu livro O Império do Efêmero, a moda, como sistema, em todo seu significado, o da vaidade, efemeridade, passa a existir somente agora. Antes, a moda, era passada de geração para geração, baseado nos costumes e na cultura. As mudanças ocasionadas eram raras e geralmente pela conquista de um novo território, por ordem de um novo imperador e etc. não havia o desejo pelo novo, pelo luxo. 

   E também, esse sentido de moda pode ser aplicado apenas na Europa, pois nos outros continentes, a moda ainda era governada pela tradição. 

    O desejo do novo, de parecer melhor é o que influencia as pessoas a buscarem pela moda. E também é uma das necessidades básicas do ser humano: olhar para frente, mas as vezes também retornando ao seu passado. 



1.1 A ROTA DA SEDA 

    A chamada Rota da Seda foi talvez, um dos primeiros contatos entre China e Ocidente. Através dessa rota eram comercializadas especiarias, papel, porcelana e a seda. A seda, quando vista pela primeira vez pelos romanos, causou um grande impacto, pois era levíssima, tinha um brilho característico e era maleável. Os romanos acreditavam que eram produzidas por criaturas mágicas que viviam de 300 a 400 anos e bebiam apenas água. O segredo da produção da seda só passou a ser conhecido, quando, anos mais tarde, a então imperatriz de Constantinopla, Teodora, mandou roubá-lo dos chineses. 

    A seda é produzida pelo casulo formado pela lagarta conhecida como bicho da seda, que se alimenta das folhas de uma amoreira especial. Para cada quilo de seda é necessário folhas de trinta amoreiras. Daí de entende o levíssimo peso desta. 

    A seda, no começo encarada com estranheza, logo conquistou a população, lembrando que pela raridade desta, eram só encontrados junto aos corpos de damas ricas. 



1.2 CRUZADAS 

    Os muçulmanos atacaram Jerusalém. Essa terra, no entanto é sagrada pelos cristãos, que habitavam a Europa. Então foi formado o que chamamos de Cruzadas, o motivo desse nome, eram as cruzes que eram pintadas nos escudos e brasão dos cavaleiros que foram à luta. 

  Os cavaleiros cruzados que marchavam em direção a Terra Santa, trouxeram para a civilização européia grandes transformações na moda. Com o contato com o Oriente, houve uma grande aproximação dessas culturas. 

Tailleur
   Os cruzados deviam usar proteção. Para isso foi criado uma armadura que cobria todo o corpo. O corpo masculino foi dividido em várias partes, para facilitar o movimento. Ou seja, foi talhado. É daí que vem a expressão tailleur, de talhador, que deu origem ao terno de três peças que divide o corpo humano. Estava inventado o tailleur. 

   Vale lembrar, que durante a Idade Média, a figura da mulher era ligada á santidade e a religiosidade. As mulheres casadas usavam véus e cobriam grande parte do corpo, enquanto as solteiras usavam laços, fitas e lenços nos cabelos. A moda, quando se fala de Idade Média está ligada ao homem, pois era esse que se enfeitava. 

   Grandes revoluções das cruzadas na moda foi a introdução do anel de noivado, a invenção dos óculos e do espelho. 

  Também, devido a essa grande aproximação Ocidente-Oriente, era quase impossível distinguir a mulher cristã da mulher muçulmana. 
À esquerda mulher casada; direita, solteira.

   Com o fim das cruzadas e perto do fim da Idade Média, o francês tornou-se a língua internacional, e Paris, a capital da moda. O balançar das ancas, o rebolado, entrou em moda. O alfaiate começou a desenhar as linhas masculinas. Pode-se notar, que na antiguidade não havia grande diferenciação entre os trajes femininos e masculinos. É aqui que tais trajes se diferem drasticamente. No homem começa-se a valorizar o quadril estreito e ombros largos, por isso começam a usar calças justas e ombreiras, já na mulher valoriza-se o busto e o quadril em abundancia, e a cintura fina, vindo daí o espartilho. 
    
   Como tudo que é novo causa estranheza, devido ao grande avanço nesse tempo na moda, foram criadas as chamadas leis da suntuosidade, que ditava quem poderia usar o que, qual a quantidade de renda que poderia ser destinada ao vestuário. A maioria dessas leis não pegou, pois o ser humano almeja o novo. 

   Devido a elegância e cores com que se vestiam, as pessoas que queriam aparentar autoridade lançaram mão de trajes deselegantes. A nobreza ditava a moda. As outras classes não podiam se vestir como ela. Para tanto, o uso de algumas cores, como o vermelho e o roxo, não podia ser usado por outros. Por isso, uma das cores que mais representa a aristocracia, é o roxo.

Frase #1


Moda: O Império do Efêmero


Moda nada mais, nada menos, é a efemeridade, o gosto pela novidade, o viver o presente. Moda define sociedade. Pode-se escrever a história da História através da história da moda. Apesar de sua aparente frivolidade, a moda, tem seu papel importante na evolução da sociedade. Muitas vezes foi ela que definiu destinos, como por exemplo, a queima de sutiãs na luta pelo voto feminino nos Estados Unidos, ou às vezes a História modifica a moda, como na Segunda Guerra Mundial, a invenção de calças femininas, devido às saias dificultarem muito os movimentos e gastar muito tecido.
“A moda não pertence a todas as épocas e nem a todas as civilizações.” [Gilles Lipovetsky, O Império do Efêmero]. Segundo Lipovetsky é a partir do final da Idade Média, que é possível reconhecer a moda como sistema. A partir de quando a sociedade começa a venerar o luxo e as frivolidades, é a fase inaugural da moda, da estética, onde um só grupo monopoliza esse sistema. É chamada a fase aristocrática da moda.
Quando o autor afirma que a moda passou existir a partir do fim da Idade Média, diz respeito à efemeridade, às mudanças freqüentes que acontecem com esse fenômeno. Antes, o vestiário e os modos eram baseados nas culturas dos antepassados, tradição. O que fez tal cenário mudar seria, talvez, quando as roupas de homens e mulheres começaram a se diferenciar, antes, ambos tinham por hábito usar túnicas pouco distintas das outras. Vale lembrar que as mudanças ocorridas não foram repentinas e muitas. Eram os acessórios que passavam pela efemeridade da existência. O traje, em sua estrutura, demorava séculos pra ter uma mudança significativa. Bolsas, lenços, rendas, jóias, acessórios em geral mudavam a todo instante.
Segundo o autor, não há moda sem a novidade, fantasia e estética. Moda em toda sua história conheceu várias alterações. Algumas chocaram a sociedade de seu tempo, outras encantaram. No entanto, todas elas tiveram sua teatricalidade, seu drama. Moda em seu começo sempre pareceu ridícula aos olhos de quem via.
Pode-se dizer que moda impõe se a um meio social, obrigando o a adotar determinado estilo.
Antes, cada classe respeitava suas condições, seguindo as tradições e vestindo se conforme sua posição social. A partir do século XIV, aparece o novo-rico. Rico, mas sem nobreza, querendo parecer-se com ela. A partir desse período começou a ocorrer uma democratização na moda. Já não se distinguia classe social pelo vestuário. A nobreza tentava cada vez mais criar nova moda, logo copiado pelo burguês. “Paradoxo da moda: a demonstração ostensiva dos emblemas da hierarquia participou do movimento de igualação do parecer”. “A moda como sistema é que é inseparável do ‘individualismo’-em outras palavras, de uma relativa liberdade deixada às pessoas para rejeitar, modular ou aceitar as novidades do dia-, do princípio que permite aderir ou não aos cânones do momento.
Moda não é apenas distinção social, é também atrativo, prazer. Busca satisfações, alegrias. A moda aparece num século em que as artes apresentam certa tendência ao exagero, ao decorativo. Logo, a moda segue o mesmo curso.
            “Onde começa, onde termina a moda, na era das explosões das necessidades e da mídia, da publicidade e dos lazeres de massa, das estrelas e dos sucessos musicais?”
A globalização comanda a economia do consumo, organizada pela sedução e pelo desuso acelerado. A moda, atualmente, está funcionando com tal rapidez que para manter se atualizado exige bastante. Mas por que está tão rápido? Devido à produção de artefatos feitos para durar pouco tempo, as fabricantes devem estar sempre inovando suas peças. Às vezes são meros detalhes que mudam de coleções para outras, no entanto, leva ao consumo exagerado de bens e no rápido desuso.
A oferta e a procura funcionam pelo novo, nosso sistema é assim. Sempre procurando a novidade, então a efemeridade.
Nossa sociedade não está buscando conforto, está buscando estilo. Por isso investe-se tanto em design, na sedução. Independente da performance de determinado produto, seu sucesso deve-se em grande arte ao seu design, sua embalagem, sua apresentação.



Devido à febre de vender, ao capitalismo, a publicidade está em todas as partes, virou arte, está em museus, as pessoas são loucas por ela. Comunicação, a publicidade cobiça a arte e o cinema, entra na historia. Com ela, a comunicação é presa nas malhas da moda: é superficial, fantasiosa, sedutora e frívola. “Arma chave da publicidade: a surpresa, o inesperado”. Aqui trabalham os princípios da moda a todo o vapor: originalidade não importa o preço, a mudança, o efêmero.
Nem sempre a publicidade é sobre o consumo. Há também as propagandas que apelam para a consciência. A publicidade não é totalitária. Ela dita brandamente, não apela para denuncia, seu registro é a sedução. Influencia, não ameaça. A publicidade só tem poder sobre a superfície. Pode fazer um publico preferir ver algo sem nexo a algo considerado bom. Mas é o público que absorve o ultimo sucesso, por curiosidade. A publicidade é poder sem conseqüência. O novo sempre vai abafar o anterior, fazendo este ter poder nulo.
O interesse pela novidade é instável. O tempo de exibição de um longa metragem antigamente era de cinco anos, hoje, no máximo seis meses. Tudo está em constante mudança. Um disco expulsa o outro das paradas, o mesmo ocorrendo com os best-sellers e as séries de TV. “A moda se traduz exemplarmente pela amplitude da paixonite.” Paixonite cultural que tem de particular o fato de que não fere nada, não choca nenhum tabu.
Independente das técnicas promocionais, ninguém prevê o que ficará nas top hits paradas. Essa incerteza do mercado faz impulsionar a renovação permanente, multiplicando títulos, ganhando segurança contra os riscos. Todas as indústrias culturais são guiadas pela lógica da moda: o sucesso, o efêmero, a novidade, a diversidade.
As estratégias denominadas multimídias permitem diminuir esse risco. Através de um livro, faz-se cinema ou televisão, da qual sai a trilha sonora e etc., todas as mídias se ajudando. A publicidade ataca, vendendo produtos, como bonecos, chaveiros, pôsteres e etc. destes sucessos. Cada produção funciona como publicidade uma para a outra.

Observe, por exemplo, o fenomeno adolescente Justin Bieber: há um ano atrás no auge da sua popularidade, houve grande produção de biografias, muitas delas não-autorizadas, cadernos, um filme, cds, posters... o garoto chegou até a gravar participação no seriado de TV CSI.


 Se a cultura de massa está imersa na moda é porque gira em torno de pessoas que as atraem, que causem paixonites: os ídolos e estrelas. São elas que a publicidade exibe em seus cartazes. Com elas, a moda brilha, a sedução está em seu auge. Elas levam as massas a mudarem seus comportamentos, a copiarem seus jeitos.
Não há duvida que o sucesso das mídias é oferecer mudança de ares, esquecimento, sendo a necessidade primordial que sustenta o consumo cultural. Em muitos casos, a mídia substituiu a escola, a família, e etc.. É através da mídia que somos informados sobre o mundo.
            “A ‘desrazão’ de moda contribui para a edificação da razão individual, a moda tem razões que a razão desconhece.”
O reino da moda generalizada leva ao seu ponto culminante o enigma de ser em conjunto próprio à era democrática. Trata-se de compreender como uma sociedade fundada na forma moda pode fazer coexistir os homens entre si”. A moda é uma lógica social independente de conteúdos, tudo é suscetível a ser levado pelo espírito de moda, pelo fascínio do novo, do efêmero.
 Mas a moda é muito mais que uma instituição frívola. A moda antes de tudo, antes de ser o que se explica pela sociedade, é uma fase e uma estrutura da coletividade. A ditadura da moda significa menos rebaixamento do tradicional do que perda do poder social de coação.

Bibliografia
LIPOVETSKY, Gilles. A Moda e Seu Destino nas Sociedades Modernas. São Paulo: Companhia de Bolso, 2009