Moda como meio de expressão: Beatniks e Hippies


Surgimento da contracultura e os beats

Contracultura, segundo Carlos Pereira, pode ser entendida tanto como 1. movimento de crítica radical datado na década de 1960, nos Estados Unidos, portanto histórico, ou 2. como qualquer postura contrária à cultura convencional.
A contracultura, como movimento histórico, teve início durante a década de 1950, com os beatniks, movimento comandado por Jack Kerouac, no seu livro On The Road. O beatnik buscava a liberdade, a vida longe das amarras do social, ouvia Miles Davis, admirava as obras de Pollock e bebia. Era uma geração existencialista. A geração que surgia nesse meio tempo eram os que buscavam um estilo de vida que fugisse do padrão escola e família.
Mochileiros e viajantes, os beats justificavam suas ações como expressão da liberdade.
Ricos porque livres. Dormir ao relento, trabalhar em navios mercantes para conhecer a vida rude dos sete mares e as alegrias não menos rudes de cada um de seus portos. Fumar haxixe no Marrocos, meditar na Índia, jogar xadrez ou escrever romances nos cafés de Paris.
(BIVAR, 1988, p. 14)

O movimento hippie
Na década seguinte, a população americana que tinha nascido no baby boom (explosão demográfica acontecida durante a Segunda Guerra Mundial), enfrentava agora a Guerra do Vietnã, a explosão da televisão, do consumismo derivado da Guerra Fria, da publicidade e do capitalismo. Foi nesse período que a contracultura ganhou nome e expressão na vida dos estadunidenses e ganhou correntes mundo afora.
As desigualdades e contradições que imperavam na América, de um lado crescimento econômico e tecnológico, do outro, guerras e conflitos, levaram os jovens a defender tudo que fosse contrário ao convencional. 
A maior corrente da contracultura a surgir neste período, foram os hippies. Os hippies e jovens da contracultura muitas vezes questionavam a liberdade de que tanto se caracterizava os Estados Unidos. Especialmente pela obrigatoriedade do serviço militar, pela guerra que impunha a outros países, que indefesos não ofereciam resistência à tamanha potência. Para os hippies, se a sociedade era capaz de tamanho crime e violência, devia ser rejeitada. Muitos desses jovens eram soldados desiludidos que traziam do Oriente a forma de vida, a moda e a ideologia.  Vida em comunidade, meditação, sexo, drogas e rock ‘n roll.
Os hippies se inspiravam no Oriente. Viviam em comunidades, fugiam à regra social e se divertia. Utilizavam os cabelos despenteados e compridos, barbas sujas. Jeans e sandálias. Saias longas e floridas. Estampas orientais. Prezavam a atividade manual, o artesanato. Colares, pulseiras, lenços e cintos eram os acessórios que os caracterizavam. Se a sociedade bebia álcool e fumava cigarros e se casava, os hippies apostavam nas anfetaminas, na maconha e no sexo livre.
A música teve um papel importante na disseminação do movimento. Todos ouviam os Beatles, Janis Joplin, Jimi Hendrix e Jim Morrison. No entanto, os hippies eram identificados especialmente pelo vestuário, estilo que de vida. E foi a moda e música que ficaram para as gerações posteriores.
Segundo Lipovetsky, a moda como sistema, efêmera e incessante é movimento distinto no mundo ocidental. Enquanto no Oriente é meio de expressão de um povo, ou de uma classe social, baseados na tradição e na cultura, aqui ganha ares de demonstração de valores políticos, sendo, portanto individualizada. A moda torna-se instrumento para divulgação de estilos de vida. Assim como as melindrosas e as flappers na década de 1920, as pin-ups dos anos 40 e 50, os beatniks, os roqueiros e os motoqueiros, os hippies também não escaparam do fenômeno moda. De fato, a moda hippie acabou por se tornar atemporal, embora sem o significado de outrora, já que muitos itens inspirados no vestuário desses invadem as passarelas a cada ano, especialmente na época da primavera-verão. Nos últimos anos entrou em moda a bandana, jeans rasgados industrialmente, cores berrantes, colares compridos, batas, sais compridas...
Da mesma maneira que os objetos e a cultura de massa, os grandes discursos de sentido veem-se tomados pela lógica irreprimível do Novo [moda]. [...] Trata-se de mostrar que ele [processo frívolo da moda] consegue imiscuir-se até nas esferas que, a priori, são mais refratárias aos movimentos da moda.
(LIPOVETSKY, 2009, p.278)


Bibliografia
PEREIRA, Carlos Alberto. O que é contracultura.  4. ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1986.
BIVAR, Antonio. O que é punk.  4. ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1988.
LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero: A moda e seu destino nas sociedades modernas. 1.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

Nota

Olá leitores!

Sei que sumi ultimamente (embora minhas postagens nunca tenham sido frequentes), não postei um único texto mês passado! E não é por falta de tempo ou falta de ideias, mas falta de coragem para me dedicar mais ávidamente aos blogs que gerencio. Talvez por sempre querer trazer pra vocês algo com bastante conteúdo, acabo me demorando nas pesquisas e o tempo passa e ainda não escrevi nada. 

Como de praxe, fim de ano é hora de resoluções: para o próximo ano, pretendo me dedicar mais a este espaço. Para dezembro, estou com alguns textos para postar, referentes a história da moda e outros sobre os punks e os hippies. Também pretendo trazer também informações e reflexões que entrem um pouco no universo cultural, como filmes, séries e músicas, porque estes também ditam moda e comportamento.

Mas até lá, bom final de ano e feliz natal!

Regi

Estilo: Coco Chanel

Coco Chanel um dos maiores ícones da moda, mesmo após mais de cem anos de seu nascimento, influencia passarelas e estilos de personalidades ao redor do mundo.

Além de ser a responsável pela introdução da calça no vestuário diário da mulher, Coco também trouxe visuais com punhos e golas inspirados em uniformes de faxineiras e camareiras. Em plena Guerras Mundiais e Depressão, seus trajes fizeram sucesso por apostar na simplicidade, devido à provisão de tecidos e matérias-primas que ocorria na época. Cores escuras e austeras, especialmente o preto também foram imortalizadas pela diva. Também trouxe o famoso Chanel n° 5, a bolsa 2,55, além de ter inspirado vários filmes em sua homenagem.











Entrevista com Gilles Lipovetsky: Beleza para todos

Gilles Lipovetsky, famoso filosófo francês chocou o mundo ao lançar (em minha opinião, o melhor livro de moda já lançado) O Império do Efêmero, no qual ele pensa a moda como parte vital, importante do desenvolvimento da sociedade moderna. Fuçando no site da Veja esses dias acabei por encontrar uma entrevista concedida à revista em 2002,  às vésperas do lançamento de seu outro livro referente ao luxo: O Luxo Eterno

Aqui transcrevi a entrevista com Lipovetsky, e aproveito para recomendar O Império do Efêmero para que quiser entender a importância e relevância do fútil no Ocidente. Quem quiser pode também conferir um post que eu fiz sobre o livro, que é o resumo do resumo do resumo: Moda: O Império do Efêmero. Na entrevista discute-se a importância da moda na política, na vida dos consumidores, o culto à aparência e etc.

FONTE: Veja.com.br


Beleza para todos

Por Silvia Rogar

O francês Gilles Lipovetsky, 58 anos, é um dos nomes mais criativos e polêmicos do pensamento filosófico contemporâneo. Foi ativista dos movimentos que culminaram no maio de 1968, teve participação importante na reformulação do ensino de filosofia na França e, atualmente, trabalha para o programa europeu de unificação escolar. Reconhecido como um intelectual "sério", causou polêmica quando lançou O Império do Efêmero, em 1987. O livro aborda a moda ocidental, de sua criação, no século XIV, até o século XX. Para Lipovetsky, o assunto não se encerra no vestir, mas está interligado ao bem-estar, ao consumo e à mídia. "Não é possível compreender a evolução da sociedade sem dar importância à moda, à sedução, ao luxo", diz. Seu próximo livro, sobre o luxo, será lançado no ano que vem, na Europa. No início de outubro, ele estará no Rio de Janeiro, para o seminário "O luxo de cada dia". Na semana passada, Lipovetsky falou por telefone a VEJA, de sua casa, em Grenoble, na França.

Veja – Seu trabalho foi muito criticado quando o senhor começou a se dedicar a temas considerados fúteis, como a moda e o luxo. Isso foi em 1987. Hoje, esses assuntos conseguiram lugar no meio acadêmico?
Lipovetsky – A academia, em particular sociólogos e historiadores, está mais aberta a essas reflexões. Ainda existe, no entanto, uma resistência muito forte. Está quase no "código genético" da filosofia a crítica às aparências. Mas a moda virou uma questão central na sociedade pós-moderna. Não foi pelo lado frívolo que me dediquei ao assunto, e sim porque a moda hoje não se restringe ao vestuário. Ela rege outras esferas da vida, como o culto ao corpo, o consumo e o bem-estar. Não dar lugar a ela é não querer olhar de frente para o que é hoje a nossa sociedade.


Veja – Quinze anos depois, que conceitos de O Império do Efêmero o senhor reviu?
Lipovetsky – Naquela época, eu queria manifestar minha revolta contra a demonização do consumo e da mídia. Mantenho a opinião de que eles não são os demônios de nossos tempos. Mas hoje estou mais sensível aos aspectos negativos do império do efêmero. O principal é que ele cria um paradoxo: quanto mais a sociedade se volta para o espetáculo, para a frivolidade, mais aumentam sua ansiedade, angústia e depressão. Estou mais sensível também à pobreza e às desigualdades sociais, questões que não abordei em 1987. São problemas criados por regras econômicas do mundo moderno e agravados pela omissão do Estado. Mas a sociedade regida pelo efêmero contribui para mantê-los.


Veja – Quais seriam os demônios de hoje?
Lipovetsky – Não acho que devemos apontar um só culpado pelos problemas atuais. Hoje, quando falamos nesse assunto, surge imediatamente a palavra globalização como a síntese de todos os males. Mas devemos discutir seus diferentes efeitos. Estamos numa época em que todos os modelos radicais perderam credibilidade. Não precisamos de mudanças drásticas nas grandes questões do mundo atual. O importante é fixar regras dentro de um mundo aberto.


Veja – Nesse mundo aberto, a moda deixou de ser algo que define marcadamente classes sociais, como acontecia no passado. Houve uma democratização do supérfluo?
Lipovetsky – Incontestavelmente sim, se tivermos como referência o nascimento da moda no Ocidente, na segunda metade do século XIV. No início, a moda só dizia respeito a um mundo muito pequeno, à corte. Depois ganhou a alta burguesia e, desde o século XVIII, outras camadas burguesas. Ao longo do século XX, sobretudo em sua segunda metade, a percepção do supérfluo como um ideal de consumo estendeu-se por toda a sociedade ocidental.


Veja – Isso não é contraditório com a constatação de que a desigualdade mantém-se e acentua-se no mundo de hoje?
Lipovetsky – Não digo, evidentemente, que houve uma democratização do acesso ao consumo, mas sim a massificação de um ideal de consumo. Nos bairros mais pobres, por exemplo, os jovens querem e fazem sua própria moda. A grande mudança é que, na organização social anterior, as camadas populares se conformavam com a sua posição, existia pouca vontade de mudar. A sociedade de consumo legitimou o ideal de viver melhor. O poder de compra continua dividido, mas o desejo de melhorar de vida é hoje praticamente universal.


Veja – Quando a burguesia passou a imitar o vestuário da nobreza, as cortes tentaram criar leis para impedir as cópias. Hoje, boa parte das grifes de luxo têm marcas secundárias, com preços mais baixos. Qual é o fenômeno por trás disso?
Lipovetsky – A nobreza tinha interesses nacionais, como, por exemplo, impedir o uso de ouro nas roupas para não diminuir suas reservas do metal – além, é claro, de deixar explícita sua superioridade em relação aos plebeus. Hoje, a estratégia é diferente. Criou-se um luxo intermediário. São produtos lançados por grifes caras porém acessíveis a uma parcela maior da população. Não deixa de existir a diferença de status. Mas é inegável que houve uma democratização da oferta do luxo.


Veja – Quais são os principais objetos de desejo nesse novo padrão de consumo?
Lipovetsky – Em primeiro lugar, a comunicação, através de seus novos objetos, como computador, acesso à internet, telefones celulares. Hoje, o bem-estar está associado à mobilidade, ao acesso à informação e à rapidez. O que seduz na comunicação passa, cada vez mais, por tudo que acelera as coisas, pela possibilidade de estar conectado com o externo, com os outros. No outro grupo, estão os objetos de sedução ligados ao corpo e à saúde. Existe uma verdadeira obsessão pela saúde e tudo que contribui para nos tornar mais jovem e em forma. Uma alimentação mais saudável exerce uma sedução muito forte nos consumidores. É um novo padrão, em que a saúde e a segurança ocupam lugar de destaque. Um forte argumento de venda de carros de luxo, por exemplo, são os sistemas de proteção ao corpo, como o air bag e os mecanismos contra roubo.


Veja – Com a globalização da indústria da moda, o que deve mudar no vestuário? Há como preservar identidades ou vamos assistir a uma pasteurização total?
Lipovetsky – No século XIX e até a primeira metade do século XX, a moda era mais artística. Na época de globalização, é necessário ter um bom faturamento, sem riscos. Hoje, escuta-se mais o que as pessoas querem usar. A maior parte da indústria da moda em todo o mundo observa o que o consumidor quer e produz dentro dessa demanda. Isso não significa pasteurização. As pessoas se vestem de forma muito parecida, mas não podemos dizer que não há individualidade. Hoje, o individualismo é escolher, dentro da oferta, o que mais agrada. É mais psicológico que estético. O mais provável é que teremos uma moda de qualidade, mas com pouca audácia de estilos.


Veja – É isso que explica o declínio da alta-costura?
Lipovetsky – Exatamente. A alta-costura foi o pólo maior da moda moderna. Nos anos 20, chegou a representar 15% das exportações da França. Agora, não é mais o vetor principal de criação. Isso acabou. O mercado de luxo é dominado por marcas como Calvin Klein, Armani. Fazem roupas caras, que no entanto não são um luxo impensável.


Veja – O senhor disse recentemente que fica difícil, hoje em dia, distinguir o que está na moda ou fora dela. Não existe mais uma imposição no vestir?
Lipovetsky – A oposição entre o que "está na moda" e "fora de moda" continua muito forte no mundo adolescente, e quase exclusivamente nele. Quase não existe fora dessa faixa etária. Acabou a tirania na forma de vestir. Antes, se a nova moda fosse a minissaia, quem usasse um modelo longo estaria fora dos padrões. Hoje podemos ter uma tendência da saia mais curta, mas quem vestir um longo não se sentirá forçosamente fora da moda. Existe uma multiplicação de estilos, um vestuário mais flexível.


Veja – Mas as mulheres continuam submetidas à ditadura da aparência.
Lipovetsky – Sim. O vestuário foi substituído pela ditadura da magreza e da juventude. A ansiedade que domina as mulheres quando estão gordas ou com celulite mostra essa tirania. Antes, as filhas sonhavam em se parecer com suas mães, queriam usar roupas parecidas. Hoje, acontece exatamente o contrário, as mães é que desejam ter a aparência mais jovem. Estar em forma e não envelhecer é a obsessão número 1 de hoje.


Veja – A que o senhor atribui essa mudança?
Lipovetsky – O corpo passou a ter outro valor na sociedade democrática e tecnológica, que recusa a submissão ao destino. Na sociedade tradicional, a beleza era considerada um dom. Se você não nascia belo, restava-lhe a resignação. Agora, num universo individualista, o que dá grandeza ao homem é não se acomodar. Quem é gordo ou narigudo pode fazer dieta, plástica e ficar bonito. Você pode lutar ou pagar para ser belo. Não deixa de ser um paradoxo. A imposição da magreza, ao mesmo tempo que atinge indiscriminadamente todas as pessoas, é também uma forma de o indivíduo tomar posse do próprio corpo. A tirania da beleza pode oprimir, mas permite que a mulher se mantenha jovem e sensual por mais tempo.


Veja – Até agora, falamos do sexo feminino. No entanto, nos últimos anos, a preocupação masculina com a aparência só fez crescer. Como se comporta esse homem vaidoso?
Lipovetsky – A partir da década de 60, o homem passou a olhar mais para a moda e para seu corpo. Isso é uma das manifestações do aumento do individualismo: a preocupação consigo mesmo. A vaidade masculina cresceu junto com a valorização do lazer, do esporte, de uma vida saudável. É diferente da vaidade feminina. O homem quer estar bem de uma forma global, seu cuidado é mais em ter um corpo saudável. Ele só tem preocupações estéticas específicas quando os cabelos começam a cair ou a barriga está grande demais. Enquanto isso, a mulher se apega ao detalhe. Ela pode ser linda mas ficar insatisfeita com a pálpebra ou com seu ombro. Quando está 2 quilos acima do peso, já corre para fazer dieta. Ela se observa permanentemente.


Veja – Por que essa obsessão?
Lipovetsky – Porque o belo continua sendo um atributo mais feminino que masculino. É algo que vem da Renascença, quando a beleza era sagrada e, para preservá-la, a mulher ficava condenada a um papel limitado, doméstico. A sociedade de consumo e o movimento feminista mudaram esse quadro, mas a mulher não deixou de ter uma identidade visceralmente ligada à estética. Ela pode ocupar cargos importantes, ganhar dinheiro, mas continua investindo na aparência. A diferença fundamental é que, agora, a beleza não restringe mais sua ação.


Veja – Num de seus estudos mais recentes, o senhor escreveu que esta nova mulher não se deixa mais encantar pela conquista no estilo Don Juan. A grande arma de sedução masculina, em sua opinião, estaria em ser divertido, ter senso de humor. Não parece pouco?
Lipovetsky – Parece pouco, sim, mas é o que mais aparece nas pesquisas feitas com as mulheres hoje. O senso de humor está ligado à inteligência e tem boa receptividade numa sociedade que valoriza o lazer e o bem-estar. É uma característica que faz a mulher sentir-se tratada como um ser igual, e não como um objeto sexual. A palavra que o homem dirige a ela tornou-se muito importante. Há outra mudança notável: não se começa mais uma relação falando de amor, como no estilo Don Juan. Primeiro, os dois se conhecem com um espírito apenas de comunicação, de contato, não de sentimento amoroso.


Veja – E na política? Que papel tem a moda na sedução do eleitor?
Lipovetsky – A moda é usada na comunicação política de maneira mais ampla que a simples forma de vestir. Faz parte de um processo que tornou o discurso mais acessível, passou a mostrar os candidatos em situações mais cotidianas, para atingir mais as pessoas durante a campanha. Isso nasceu para tornar a propaganda eleitoral mais interessante. Mas a tendência da sociedade contemporânea continua a ser de desconfiança, de distância da política. Ou seja, a lógica da moda, da sedução e do consumo não atrofiou o senso crítico dos cidadãos.


Veja – Mas a imagem continua sendo importante, não? No Brasil, o candidato que lidera as pesquisas, Luís Inácio Lula da Silva, mudou o discurso, mas também aparou a barba, cortou o cabelo, passou a usar ternos bem cortados...
Lipovetsky – Com certeza, a preocupação com a aparência contribuiu para sua imagem, mas o mais importante foi a mudança de suas posições, agora mais moderadas. Ele atenuou o discurso em relação ao FMI e à globalização, por exemplo. As razões que levam um candidato à Presidência de um país passam longe da simples aparência. A maioria dos políticos, aliás, não é particularmente sedutora. Veja José María Aznar (primeiro-ministro espanhol) ou George W. Bush. Não são pessoas propriamente preocupadas com moda.


Veja – O senhor se considera uma pessoa preocupada com moda? Gosta de grifes?
Lipovetsky – Os filósofos hoje não têm mais aquela imagem de que vivem fora do mundo, que não se preocupam com coisas materiais. Mas não me preocupo com marcas, que são apenas instrumentos para dar segurança ao consumidor de que está adquirindo um produto de boa qualidade. Sou um consumidor absolutamente banal. 

Cinema, Cabelos e Influências



Que o cinema sempre influenciou a sociedade a gente sabe. Mas que a influencia era muito maior até a década de 1950 é outra coisa. Muito ao contrário de hoje, onde se tem mais chance de encontrar o seu ídolo, ou de conseguir conversar com eles através das redes sociais, o cinema em seus primóridios apresentava suas estrelas como inatingíveis. Um grande exemplo disso, é a multidão enlouquecida que puxa Mary Pickford e Douglas Fairbanks quando estão em lua de mel em Londres e Paris, e a multidão que se reúne para recebê-los quando de volta a Hollywood. 

Grande influenciador de costumes, o cinema no entanto, tornava difícil alcançar ao público alcançar a idealização proposta por ele. Era época das Grandes Guerras, da Depressão. Vestes imitadas o máximo possível, mas para aquelas que não tinham como, foram os cabelos e as formas de maquiagem os mais imitados. Mas como o objetivo do post é falar sobre o penteado das nossas divas, aqui vai um compilado daquelas que mais influenciaram nos penteados das mulheres do começo do século XX.

Mary Pickford

Famosa por seus cachos dourado, Mary Pickford foi a primeira estrela hollywoodiana. Apesar do grande carinho que dispensavam aos seus cabelos, Mary não gostava muito deles, e, após a morte da mãe, ela cortou-os. Foi um dos motivos da queda de seu estrelato.


Josephine Baker

Um dos primeiros símbolos negros, Josephine Baker foi dançarina e atriz estadunidense naturalizada francesa. Trabalhou como espiã durante a Primeira Guerra. Além de seu vestuário inusitado e exótico, Josephine também lançou a moda dos cabelos curtíssimos. 





Louise Brooks

O penteado de Louise Brooks consiste em 1. sorte, para nascer com o cabelo super liso e 2. sorte novamente, para ter o formato de rosto ideal. Corte exibido em seu maior sucesso A Caixa de Pandora (1929), logo causou frisson entre as mulheres da época, sendo bastante incorporado pelas melindrosas, tornando-se um dos símbolos da década de 1920.



Jean Harlow

Numa época quando as loiras não eram bem vindas em Hollywood, Jean Harlow não teve medo: descoloriu seus cabelos completamente. Ídola de Marilyn Monroe, Jean é considerada a primeira loira platinada da sétima arte.


Veronica Lake

Com o visual de mulher fatal, o penteado de Veronica Lake causou problemas às mulheres que tentaram copiá-lo. Em tempos de Segunda Guerra Mundial, muitas mulheres saíram do conforto de suas casas para trabalhar nas fábricas e industrias, e, muitas vezes esqueceram as franjas presas nas máquinas. Foram tantos acidentes causados pelo visual que foi solicitado à atriz que mudasse o penteado e fizesse publicidade para que as outras mulheres mudassem o delas também. 





Rita Hayworth

Dona de cachos compridos e vermelhos, Rita Hayworth foi um grande símbolo sexual de sua época. Quando, a pedido de seu marido, apareceu em A Dama de Xangai (1948) com os cabelos curtos e loiros, foi duramente criticada.



Marilyn Monroe

Não tem como falar de cabelos, sem falar da loira platinada mais famosa de todos os tempos. Assim como Jean Harlow, de quem era fã, Marilyn Monroe se popularizou por seus cabelos descoloridos e batons vermelhos.




Audrey Hepburn

Audrey Hepburn durante sua carreira usou e abusou de diversos penteados e cortes. Mas sem dúvida ela é mais lembrada pelos cabelos curtos e a microfranja. Outro penteado também marcado pela atriz é o utilizado em Bonequinha de Luxo, de 1961.


Lucille Ball

Se Marilyn Monroe é a mais lembrada no quesito loiras, Lucille Ball, com certeza estará na listas das maiores ruivas de todos os tempos. A rainha da televisão desde seu início de carreira já apresentava os cabelos vermelhos como marca registrada.




Brigitte Bardot

Conhecida por sua dedicação às causas ecológicas e declarações polêmicas, a francesa Brigitte Bardot também foi um dos maiores sex-symbols dos anos cinquenta e sessenta. Em contraponto com os cabelos curtos e "arrumadinhos" de Marilyn Monroe, Bardot apresenta cabelos compridos e mais soltos e relaxados.




Esses foram apenas alguns dos penteados que influenciaram a sociedade à época. Claro, faltam várias divas serem citadas. Se lembrar de algum, não esqueça de comentar!

Frase #3


Eu, Etiqueta

Em minha calça está grudado um nome 
Que não é meu de batismo ou de cartório 
Um nome... estranho. 
Meu blusão traz lembrete de bebida 
Que jamais pus na boca, nessa vida, 
Em minha camiseta, a marca de cigarro 
Que não fumo, até hoje não fumei. 
Minhas meias falam de produtos 
Que nunca experimentei 
Mas são comunicados a meus pés. 
Meu tênis é proclama colorido 
De alguma coisa não provada 
Por este provador de longa idade. 
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, 
Minha gravata e cinto e escova e pente, 
Meu copo, minha xícara, 
Minha toalha de banho e sabonete, 
Meu isso, meu aquilo. 
Desde a cabeça ao bico dos sapatos, 
São mensagens, 
Letras falantes, 
Gritos visuais, 
Ordens de uso, abuso, reincidências. 
Costume, hábito, permência, 
Indispensabilidade, 
E fazem de mim homem-anúncio itinerante, 
Escravo da matéria anunciada. 

Estou, estou na moda. 
É duro andar na moda, ainda que a moda 
Seja negar minha identidade, 
Trocá-la por mil, açambarcando 
Todas as marcas registradas, 
Todos os logotipos do mercado. 

Com que inocência demito-me de ser 
Eu que antes era e me sabia 
Tão diverso de outros, tão mim mesmo, 
Ser pensante sentinte e solitário 
Com outros seres diversos e conscientes 
De sua humana, invencível condição. 
Agora sou anúncio 
Ora vulgar ora bizarro. 
Em língua nacional ou em qualquer língua 
(Qualquer principalmente.) 
E nisto me comparo, tiro glória 
De minha anulação. 

Não sou - vê lá - anúncio contratado. 
Eu é que mimosamente pago 
Para anunciar, para vender 
Em bares festas praias pérgulas piscinas, 
E bem à vista exibo esta etiqueta 
Global no corpo que desiste 
De ser veste e sandália de uma essência 
Tão viva, independente, 
Que moda ou suborno algum a compromete. 
Onde terei jogado fora 
Meu gosto e capacidade de escolher, 
Minhas idiossincrasias tão pessoais, 

Tão minhas que no rosto se espelhavam 
E cada gesto, cada olhar 
Cada vinco da roupa 

Sou gravado de forma universal, 
Saio da estamparia, não de casa, 
Da vitrine me tiram, recolocam, 
Objeto pulsante mas objeto 
Que se oferece como signo dos outros 
Objetos estáticos, tarifados. 
Por me ostentar assim, tão orgulhoso 
De ser não eu, mas artigo industrial, 
Peço que meu nome retifiquem. 
Já não me convém o título de homem. 
Meu nome novo é Coisa. 
Eu sou a Coisa, coisamente.



Carlos Drummond de Andrade

O fetiche da mercadoria

     Em O Capital Karl Marx falava sobre o fetiche da mercadoria. Com a sociedade se tornando capitalista, a riqueza assume a forma de “coleção de mercadorias”, sendo esta objeto externo ao ser que satisfaz suas necessidades, tanto físicas quanto espirituais. A mercadoria tem utilidade, é produto do esforço humano e tem valor de uso. O Fetiche da Mercadoria é onde esta passa de objeto de uso e torna-se objeto de adoração pelas massas. O individuo compra aquilo que o objeto significa e não o objeto em si. 

    Esta relação pode ser explicada através do grande consumismo dos nossos dias. O compradores muitas vezes se apropriam de uma mercadoria com a intenção de mostrar aos outros que o possui e não por realmente precisar dele. 

      Essa grande adoração, na moda, geralmente se dá pela veneração à marcas e produtos de luxo. Muitas vezes o indivíduo, mesmo não podendo, sacrifica-se para poder possuir determinado carro, roupa, acessório etc. 

      A sociedade está cada vez mais empenhada no ter para ser. Se antes uma habilidade tornava alguém especial em seu grupo, hoje é aquilo que possui. 

     O consumismo excessivo acaba por passar uma imagem negativa sobre a moda. Invés de símbolo cultural e de inovações, esta passa cada vez mais a instalar a imagem de fútil, inútil e capitalista. Talvez este seja o sentimento que caracterizará a moda atualmente: adoração de marcas e mercadorias. Mas não podemos deixar de esquecer seu significado primordial: expressar ideias, significados, identificar uma cultura.

A logomania surgiu nos anos 90 e pode-se dizer que até
os dias atuais está presente em nosso cotidiano.

Aniversário de Audrey Hepburn

Hoje (04 de maio) Audrey Hepburn completaria 83 anos se estivesse viva. Ela é um dos maiores expoentes da moda até hoje. Audrey foi responsável por imortalizar o vestidinho preto quando apareceu no filme de 1961, Bonequinha de Luxo. Vários de seus looks servem de inspiração para muitos modistas.

Para saber mais visite meu outro blog onde foi publicado uma pequena biografia sobre a atriz.





Com Hubert de Givenchy, uma das maiores parcerias da moda

Com Edith Head: a modista de Hollywood

Imagens via Listal.com

Século XX: Belle Époque


Terceira parte do post sobre a história da moda. Para ler mais:

Moda da Idade Média
Moda da Idade Moderna


3 IDADE CONTEMPORÂNEA 


A revolução francesa marca o fim da Idade Moderna. 

Com o fim desta, os trajes começaram a ser simples, nas mulheres a utilização de vestidos que tinham como adorno uma faixa larga pouco abaixo dos seios: a cintura-império. A moda masculina apresenta sua decadência. Talvez após esse evento, os homens mostram desinteresse e nunca mais foram os senhores da moda, cedendo seus lugares à vaidade feminina. 

Estilo Biedemeier
O branco entra em moda, indicando pureza e virgindade, e deve ser usado por toda mulher solteira: a não utilização deste era quase considerado uma afronta. A mulher ideal é a pálida, sofredora e frágil. Surge o estilo Biedermeier para ajudar a aparentar delicadeza: corpete em forma de coração que se afinava demasiadamente na cintura. 

Os homens adquirem em seu vestuário o estilo monocromático, utilizado por muitos até hoje. 

A aristocracia entra em decadência. A Revolução Industrial começa e a produção de uma das maiores marcas da moda: as máquinas Singer. 



3.1 A BELLE ÉPOQUE (1900-1914)

A Belle Époque foi um período de grandes avanços tecnológicos e culturais que se iniciou no final do século XIX e durou até o início da Primeira Guerra Mundial. Marcada pelo aparecimento de diversos cabarés, o cancan, o Impressionismo, a Art Noveau e pelos primeiros passos do cinema, a Belle Époque trouxe novos horizontes para a sociedade européia, que procurava manter a paz e a união entre eles e com o mundo. 

Paris se tornou o lar de muitos artistas, cafés, bares, teatros, cinemas, cabarés, escolas de dança e ateliês de alta costura, além de referência para estrangeiros que procuravam a cidade-luz com o objetivo de informar-se sobre as inovações nos diversos campos da vida social. 

Art Noveau
Na primeira década do século XX, o Art Noveau, ou simplesmente ‘arte nova’, na moda se caracterizou pelas curvas e o corpo em forma de ‘s’, desenhadas pelo espartilho apertadíssimo, dando ao corpo da mulher o formato ampulheta.

Rendas, bordados e várias camadas davam à mulher um ar romântico, no entanto era pouco prático, pois havia a necessidade de terceiros para ajudar a compor o vestuário. Os acessórios eram as sombrinhas delicadas, grandes chapeis e penteados que deixavam o rosto feminino mais delicado, como coques volumosos e topetes. A este tipo de penteado se dá o nome “Pompadour”.
O Pompadour. Observe a delicadeza
e o luxo que compõe este look

Durante esse período, o Brasil manteve fortes ligações com a França, chegando a transformar as grandes cidades em metrópoles ao estilo europeu, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Esse clima de paz e prosperidade foi rompido com a eclosão da Primeira Guerra Mundial.